Ânimo de agricultores na Agrishow confirma tempo de bonança

Posted By: admin on mai 11, 2011 in Blog

Com R$ 1,5 bilhão em negócios, ou 30% mais sobre o R$ 1,15 bilhão registrado no ano passado, a 18.ª Agrishow, encerrada na sexta-feira em Ribeirão Preto (SP), confirmou o clima de otimismo vivido pelo agronegócio brasileiro e fechou o ciclo de bons resultados nas grandes feiras que já ocorreram este ano: Coopavel, Expodireto Cotrijal e Tecnoshow Comigo.

Percorrendo a Agrishow este ano, 15% maior em área, em relação a 2010, o que se viu foram estandes lotados de produtores ávidos por novidades e por fechar negócio. Segundo os organizadores, a feira recebeu 146 mil visitantes, ante 142 mil no ano passado. Dos 360 mil metros quadrados de área total, 180 mil metros quadrados foram reservados a estandes de 765 empresas, de 50 países. Em comparação às edições anteriores, esta Agrishow foi, de fato, “a maior de todas”, disse o gerente-geral, José Danghesi.

Por setores. Numa área tão grande, a decisão de manter a divisão da feira por setores – fabricantes de máquinas e implementos agrícolas, armazenagem, irrigação, pecuária, aeronaves, pneus – facilitou a vida dos visitantes. Nos quatro dias em que o Estado percorreu a feira, viu a empolgação com a safra recorde e os bons preços.

Para os produtores, a Agrishow foi oportunidade para fechar negócios previamente encaminhados e conhecer o que há de mais inovador. Pela primeira vez no evento, o produtor Luiz Gustavo Rodrigues da Silva, de Maracaju (MS), conta que pesquisou preços de implementos com antecedência. Com recursos próprios, investiu R$ 22.500 em uma grade aradora. “Fiz cotações e pesquisei fabricantes antes”, diz o produtor, que cultiva 750 hectares de soja e milho. Silva confirma que os bons preços dos grãos têm contribuído para investir.

Na sua região, a saca de milho está cotada em R$ 25 e a de soja, em R$ 38. “O preço do milho está excelente. E, para a soja, fiz contrato antecipado para garantir preço. Consegui fechar, em outubro de 2010, a saca por R$ 44″, conta. “A vantagem da Agrishow é que ela ocorre quando a colheita de soja já acabou. Ou seja, o produtor vai com as compras já definidas. Muitos agricultores deixam de ir à Coopavel, em Cascavel (PR) por exemplo, porque a época coincide com a colheita de soja”, diz o representante da área comercial de uma fabricante de implementos agrícolas, Wilson Patrício Chaves.

Para fabricantes, a feira é um “termômetro” do setor, que se planeja com base no desempenho da empresa no evento. “O produtor vem atrás de tecnologia e a indústria se programa a partir daqui”, diz o presidente da mostra, Cesário Ramalho.

Precaução. “O produtor está precavido. Não quer esbanjar porque sabe que a festa acaba”, diz o presidente do conselho de uma tradicional fabricante de implementos agrícolas, Rubens Dias de Morais. “Acompanho a agricultura há décadas e em muito tempo não vejo uma situação como essa, de preços bons para a maioria dos produtos”, diz Morais. “É um momento histórico, que o produtor aproveita para saldar dívidas e investir em tecnologia.”

Anexos à feira, os campos de demonstração também atraíram grande número de produtores. Ao todo foram feitas 800 exibições das mais diversas máquinas e equipamentos. O produtor pôde então conferir o desempenho desde tratores pequenos, ideais para culturas adensadas, até os maiores, equipados com piloto automático e que podem ser guiados sem o operador tocar no volante. Puderam conferir a eficiência de máquinas plantadoras, colhedoras e pulverizadoras e até contemplar a beleza dos voos rasantes feitos para demonstrar o uso de aviões para pulverização de grandes áreas.

A edição deste ano foi marcada pela permanência do evento em Ribeirão Preto pelos próximos 30 anos, decisão que levou os bancos e as montadoras a investir em obras de alvenaria nos estandes.

 

Fonte: Estadão

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